OLHOS NOS OLHOS
Uma pessoa pode sim ser vaidosa, narcisista E nariz empinado diante dos seus valores e saberes, e ainda assim ser bela e boa amiga, admirável como pessoa. Claro que pode. De outro lado, uma pessoa pode ser falsamente humilde, desapegada (mais por pobreza que por gosto) dos mundanismos e dos consumos e não valer nada, ser insuportável como amiga, chata e nada confiável. Aliás, é o que mais há, são daqueles tipos chamados por Cristo de sepulcros caiados; os bonitos por fora e podres por dentro.
Acabei de ler uma “intelectual” de botequim falando, da boca para fora, é claro, sobre nossas “mesquinharias”, vaidades, narcisismos, essas coisas, que devemos afastar da nossa vida cotidiana, lutar contra elas. Como se elas fossem sempre um mal.
Digo o contrario. Se você sabe tocar piano, falar francês, pintar quadros, bordar como uma princesa medieval, fazer bolos como a Tia Anastácia, pregar botões, o que for na vida que você faça bem-feito e tenha consciência disso, orgulhe-se, olhe com os olhos retos, elevados para o horizonte das virtudes. Sem essa da falsa humildade. E isso não significa sair por aí eructando. Vá lá, sair por aí arrotando.
Temos que ter orgulho sim das nossas virtudes, do produto dos nossos esforços. Um jornalista, por exemplo, e o exemplo mais próximo que me ocorre, que estuda todas as noites, que lê de modo abrangente, que procura aprender a bem conjugar verbos irregulares, que cultiva a boa conversação, que se prende a princípios éticos, que, enfim, luta para melhorar e com isso estar acima dos demais colegas, o que você quer que ele faça? Que fique quieto num canto? Os bons exemplos não podem fingir humildade, a humildade dos que de fato têm valor é moeda falsa ou covardia. Não é ser prepotente mas olhar os outros nos olhos, os outros que os baixem, se não forem parecidos… Pobre de quem não tem orgulho de nada em si mesmo.
VIDA
O que mais se vê hoje pelas esquinas? Justamente, vidas vazias. A vida nunca estará vazia, quero dizer, a cabeça e o coração, quando estamos apaixonados por algo ou por alguém. Sem o incêndio de um afeto dentro do peito não há ansiolítico ou maracujina que resolva. Quando nos desaparecem os afetos por que lutar na vida, a corda da forca fica mais tentadora… Só o que pode cortar essa corda é o amor, seja pelo que for. Ah, e sem essa de – o meu tempo passou. – Aliás, a velhice galopa sobre os de vida vazia.
ELAS
Tenho muitas amigas jovens, todas intrigadas… Todas me dizem a mesma coisa, – “Ah, Prates, está muito difícil achar um sujeito interessante, um cara que seja homem de fato.”… E eu não sei! O que mais anda por aí são bermudões sem graça, cabelos e roupas de bobões da corte, não dispensam a “latinha” nas mãos, sem as quais não são nada, não lêem, não se qualificam para um bom trabalho, são, na verdade, uns patetas metidos. Meu conselho? – Gurias, fiquem solteiras, é muito mais seguro e confortável.
FALTA DIZER
Uma “perigueti” e desbocada figurante da novela Sangue Bom diz que – “A gente vai mostrar o luxo, o charme da classe C…” Tudo bem e dou força, mas primeiro fala, abre a boca, deixa-me te ouvir… Só assim poderei te admirar e concordar contigo. Forçar a barra e tentar impor linguagem chula, gestos toscos, música/ruído e baixarias, sinto muito, querida, tu não vais ter charme nem luxo. Subir degraus na vida exige muitas folhas… Folhas de bons livros e educativos exemplos.
VIP OU BREGA
Toda pessoa tem o sagrado direito de dizer que não se quer misturar a certa gente, todo direito. E isso não é, ou até pode ser, preconceito. Paciência. Não me quero misturar e pronto, direito meu.
Digo isso, leitora, porque estamos vivendo um momento muito promíscuo, basta que você veja o que estão colocando nas novelas da televisão ou nos programas populares, que são todos. Uma mistura braba, mistura que a sociedade aqui fora, curiosamente, não aceita, pelo menos a maioria.
Sempre disse por aqui que para mim há dois tipos de ricos, os ricos do bolso e os ricos da cabeça. Nem preciso explicar que admiro e aplaudo os ricos da cabeça, esses demonstram que fizeram esforços continuados, foram disciplinados, tiveram objetivos, lutaram, suaram e alcançaram a boa e iluminada cabeça. Minha incondicional admiração a esses. Já riqueza de bolso pode ser obtida de um dia para outro, basta o sujeito assaltar um banco ou traficar drogas da pesada… A riqueza da cabeça ninguém a pode obter de um dia para outro, ela exige tempo.
O que me traz a esta charla é o que acabo de ler em manchete na Folha: – “Serviços “Vips” e diferenciados crescem 42% em São Paulo”. São serviços de todo tipo, desde poltronas especiais em cinemas a salões de cabeleireiros, tudo, de tudo. O sujeito, que se acha “vip” quer o melhor, quer o diferenciado, quer o lugar e o atendimento especial. Tudo bem, mas o que é ser vip – very important people – para os americanos, pessoa muito importante? É ter dinheiro? Não para os meus princípios.
Vip para mim é uma pessoa de bom gosto, de gestos educados, de boas leituras, de conversa elevada, de modos discretos e humores sob controle… O mais é artificialismo, é querer parecer o que se não é por dentro. Se alguém me disser que é vip, peço que abra a boca e fale. Ela se revelará sem rebuços. Mostrar-se-á vip ou brega metido a chique…
BLUMENAU
Estive em Blumenau para fazer palestra para o pessoal do Rotary, andei pelas ruas, ouvi música alemã, revi amigos, conheci outros e… Num certo momento, ia à minha frente numa calçada um jovem cidadão. Pela avaliação a distância, um sujeito comum. Dado momento, ele vê num canto da calçada um papel jogado por algum porco, ele se abaixa, pega o papel e anda até a primeira lixeira, deixa lá o papel. Que gesto, que educação, que civilidade, que admirável. O sujeito que se me afigurava comum, passou-se a ser visto como um cavalheiro, um belo cidadão. Gestos revelam.
FLORIPA
Volto de Blumenau para Florianópolis, vou dirigindo pelo sul da ilha e lá pelas tantas cruzo por um tipo, um vagabundo de bicicleta… Ele ia comendo não sei o quê e “simplesmente” jogou o papel que sobrou no chão, e foi indo, pedalando para o nada da sua vida imunda. Dois casos, o de Blumenau e o de Floripa, qual a cidade que tem mais futuro a partir desses dois exemplos?
FALTA DIZER
Que “canhão” de poder é o nosso SBT/SC. Tenho andado por todo o Estado fazendo palestras, cada vez mais ouço as pessoas falando bem dos nossos telejornais. E para tirar a febre, peço detalhes. Dão-me todos. É audiência mesmo. E a última maravilha veio-me de Brasília, da COBRAPOL – Confederação Brasileira de Policiais Civis – da qual sou convidado, único “estranho ao ninho”, a participar do XIII Congresso Nacional dos Policiais Civis. A partir do dia 30 em Foz do Iguaçu. Convite distinto do presidente Jânio Bosco Granda. Obrigado, catarinenses pela audiência.
ESSE ERA PAI!
A história é bonita, mais que bonita, linda. Li essa história logo após a morte de Steve Jobs, um dos fundadores da Apple. Esse tablet que você carrega para lá e para cá veio da cabeça dele, do Steve Jobs.
Contam biógrafos de Jobs que ele um dia, aos oitos anos de idade, estava ajudando o pai, Paul Jobs, a construir uma cerquinha de madeira na frente da casa deles, coisa típica de casas americanas. Paul Jobs adotou Steve quando pequenino.
Diz a história que estavam lá os dois batendo martelo, torcendo parafusos, pintando, essas coisas, e que terminada a construção da cerca, Paul chamou o piá e disse a ele: – Bah, filho, ficou uma beleza essa cerca que construímos, bonita mesmo, parabéns, filho! E acrescentou: – Agora vamos fazer a cerca lá dos fundos!
Ouvindo isso, Steve Jobs, o garotinho de oito anos, teria dito ao pai: – Ah, pai, a cerca lá dos fundos não precisa ficar tão bonita quanto esta; lá nos fundos ninguém vê… Paulo Jobs, dizem os biógrafos de Steve Jobs, teria dito ao filho, olhando-o nos olhos: – Não é porque ninguém vê o nosso trabalho que vamos fazê-lo malfeito, entendido?
Bela lição, isso é ética, ética de bom pai para formar um bom filho. E todos os que conviveram com Steve Jobs disseram que ele era drástico nas exigências de trabalho, ou tudo “perfeito” ou que recomecem o trabalho…
Agora me diga, leitora, leitor, quem é que ensina esse tipo de comportamento aos filhos, quem? Fale a verdade, quem dos que você conhece? Ninguém, ninguém mesmo, claro, comportadas as exceções que eu não conheço. O negócio hoje é ensinar os filhos a levar vantagem em tudo, desde criança a furar a fila na cantina do colégio e mais tarde a fila do ônibus para voltar para casa. Depois esses pais “biológicos” vão se queixar da sorte, que vão se queixar, ah, se vão, tão certo quanto o dia do Juízo Final! Paul Jobs, cumprimentos pelas lições ao inesquecível filho! Agora, leitora, leia mais abaixo para você ver outra lição de ética…
SAFADOS
Os incompetentes e frustrados não saem da “rede”, inventam de tudo para aparecer ou para infernizar a vida de alguém. “Ouça” esta manchete da Folha: – “Cliente fraudador se dissemina na web”. Mais abaixo, lê-se: – “Protegidos pelo anonimato da internet, em muitos casos, esses usuários tentam obter vantagens das empresas simulando problemas que nunca existiram”. São safados, ordinários e sem-vergonhas. Buscam com as falsas denúncias obter ganhos financeiros das empresas atacadas sem razão. Esse pessoal tem que ser pegado e levar um “corretivo” especial, alguém tem que fazer isso, essa é a justiça de que precisam. Safados.
LIÇÕES
Aprendi muito cedo na vida, atrás do balcão de secos e molhados do meu pai, que freguês só às vezes tem razão, mais das vezes se ele puder ferrar com o lojista, com o comerciante, ferra. Vi e ouvi de tudo atrás do balcão. E outra coisa que incomoda é o número de vadios que entram com ações judiciais contra as empresas que não lhes deviam ter dado crédito e oportunidade. E, pior de tudo, abominável mesmo, é que em muitíssimos casos esses vadios ganham a parada…
FALTA DIZER
Aviso às escolas que promovem concursos de oratória entre os alunos: os inscritos devem subir ao palco e diante de uma banca de examinadores competentes e honestos sortearem, na hora, o tema sobre o qual vão falar. Fora disso, os caras vão para casa e memorizam textos, frases, citações, tudo. Não é oratória, é fraude legalizada. E, nesse caso, qualquer um pode ganhar…
QUEM TEM MAIS?
Um fazendeiro tinha duas vacas e vivia feliz com o leite que elas lhe davam todos os dias. Um dia chegou um vizinho que tinha três vacas e tirava mais leite que ele… O primeiro fazendeiro ficou fulo. E, frustrado, deu-se conta então de que tinha duas saídas: roer unhas irado ou arrumar mais vacas. É assim, vivemos num mundo de disparidades, de comparações, de nada adianta reclamar e menos ainda fingir não ver as diferenças. Melhor é vê-las e a elas reagir. Daí que é muito bom fazer comparações para saber por onde andamos.
Vim até aqui, leitora, leitor, porque acabei de ler mais um artigo sobre felicidade. Não agüento mais ler sobre felicidade e a ávida busca humana por ela. E o que me incomoda é que vivemos procurando pela felicidade lá e então, isto é, em outro lugar e em outro momento, difícil achar essa mocinha. Mas será mesmo que não sabemos onde se esconde a felicidade? Claro que sabemos. A felicidade está escondida dentro de nós, último lugar em que a procuramos, nossa “cegueira” não nos deixa ver isso. E como não costumamos procurá-la dentro de nós, perdemos tempo procurando-a lá fora, em algo ou alguém.
O que acabei de ler é que uma das mais imediatas fontes de infelicidade é a comparação. Vivermos nos comparando aos outros nos derruba, não há como ser feliz, sempre vai haver alguém mais rico, mais bonito, mais inteligente, mais isso, mais aquilo que nós. Então, o conselho é que não nos comparemos.
Vale a intenção mas o conselho é péssimo. Sem comparações vamos viver sem rumos, sem indícios, sem referências. É claro que precisamos de comparações. Imagine um desportista sem referências de tempos, marcas, recordes… Imagine um negociante que não saiba sobre quem vende mais e sem comparações de lucro ou produtividade. E assim com relação à saúde, à beleza, às notas acadêmicas, tudo. Se viver se comparando aos outros é angustiante, pior sem comparações. Por exemplo, como é que sei que sou pobre? Porque conheço o Eike Batista. Mas isso não vai ficar assim, ele não perde por esperar…
VERDADE
Dia destes um publicitário me observou: – “Tu notaste que temos tudo e estamos sempre querendo mais e do mesmo”? Deu o exemplo: todos temos carro, televisor, microondas, geladeiras, roupas, calçados, computador, tudo, mas estamos sempre querendo comprar mais e dos mesmo produtos? Por quê? Porque comprar traz prazer, alivia angústias e a carência afetiva e ainda por cima dá-nos a sensação de poder. É, acrescentei, mas também tira o sono de quem não pode, dívidas corroem as tripas e matam mais cedo. E adianta dizer?
MENTIROSOS
Dia destes li nos jornais que “mentirosos” oficiais gritavam aos cinco ventos que 24 milhões de brasileiros haviam deixado a pobreza extrema, sinônimo de miséria, agora eram apenas pobres, não mais miseráveis… Agora leio que 22 milhões de brasileiros voltaram para a pobreza extrema, para a miséria, tudo por causa de alguns “centímetros” de inflação. Para os mentirosos oficiais ganhar R$ 71 reais já os tira da miséria. Até R$ 70 não… Safados.
FALTA DIZER
Essa transformou o limão em limonada… Li na Folha a história de uma mulher que sofria do Transtorno Obsessivo Compulsivo, o “moderno” TOC. Ela arrumava os roupeiros dela várias vezes ao dia, era uma compulsão louca. Sabes o que ela fez? Transformou-se, profissionalmente, em “personal organizer”, e agora vive na casa dos outros arrumando roupeiros e gavetas. De fato, dá para tirar vantagem de tudo na vida, basta parar e pensar.
QUE TIPOS!
Não me apraz chamar pessoas de estúpidas mas me desculpe, há momentos em que não há outro jeito. Há momentos em que as pessoas são estúpidas sim. E depois vão se queixar aos parentes dizendo-se sem sorte e lhes dando trabalho ou, então, vão dar trabalho mais cedo ao coveiro… São as hipóteses.
Tenho comigo duas informações que me tiram dos sapatos, não vejo como possam ser explicadas senão pela estupidez. A primeira informação foi-nos dadas pelos jornais catarinenses: “Grávidas foram as que mais faltaram nos postos de vacinação antigripe”. Por que não foram tomar a vacina se as grávidas estavam no grupo de risco e entre os privilegiados para a vacinação?
- Ah, eu não sabia! E como é que “outras coisas” a dengosa sabe muito bem, hein? – Ah, eu não tive tempo! – Ah, eu não acredito nesses “remédios” dados pelo governo! – Ah, eu isso, ah, eu aquilo! Tudo evasivas de gente irresponsável. E, pior de tudo, a vacinação gratuita visa a dar saúde aos pobres, são eles os visados pelo governo, grávidas, crianças e idosos pobres.
Os afluentes, os que têm dinheiro no bolso, esses não precisam de vacina em posto de saúde nem em dias determinados, esses se vacinam quando querem e bem entendem em suas clínicas particulares. À grávida e preguiçosa dou um aviso: te prepara, teu casamento vai ser uma tormenta! E o marido? A grávida reproduz na vida o tipo de marido que ela deixou em casa…
E a outra notícia que me tirou dos sapatos estava nesta manchete: “Cresce em 36% o número de idosos infectados pelo HIV” Idosos e não têm juízo? Sim, eles não acreditam na malignidade incurável do vírus ou então acham que estão velhos demais para a infecção e que, mesmo infectados, vão morrer antes de lhes aparecerem os sintomas da infecção. São ou não são estúpidos?
ENGANO
Já ouvi alguns levianos dizendo que não precisam tomar vacina, que a boa saúde lhes vem de suplementos alimentares e vitaminas. Várias vitaminas em comprimidos dão câncer e os suplementos alimentares arrebentam os rins, e daí para a frente minam a saúde. A ignorância é mesmo mãe de todas as “covas”. Tudo, todavia, pode ser bom ou ajudar mas vai depender da dose e da devida prescrição. É bom ouvir o Netinho – o cantor baiano -quando ele sair da UTI…
ELES
Primeiro foi aquele incenso todo, eles são isso, eles são aquilo, e agora todos estão descobrindo que eles não são de nada e são muito piores do que diziam os seus primeiros críticos. Estou falando da Geração Y, caras que nasceram a partir de 1980. Esses falaciosos chegam hoje na empresa e amanhã já querem ser gerentes. Diz um estudo da revista Time, americana, que eles são apressados, narcisistas e preguiçosos. Acrescento: e sem qualquer talento. Os arvoados – e está certa a palavra – acham que diplomazinho brasileiro, ou de onde for, resolve a parada. O que resolve é competência, engajamento, trabalho duro, tempo e muita ética no trabalho. O mais é firula. Na minha empresa eles têm lugar garantido: na calçada.
FALTA DIZER
E o que você me diz desta manchete da Folha: – “Alunos da Universidade de São Paulo – USP – organizaram dia em que rapazes podem usar saias”. Eles querem poder ir ao campus universitário usando saias de mulher. E dizem que isso é para quebrar regras de vestuário e para que cada um se vista como se sentir melhor. Ah, querem quebrar regras, é? Eu tenho um modo que quebra regras num minuto… E tem outra, é estudar, estudar com vergonha na cara e deixar de palhaçadas circenses em local indevido. Basta!
ANTES DE CASAR…
Fechei o livro, era tarde da noite, e liguei a televisão, quis dar um passeio pelos canais. Parei no canal 118 da Sky, TV Senado. O que acabara de ler estava sendo “reforçado” pelo documentário que corria na tela da tevê.
O que acabara de ler dizia mais ou menos assim: – “Antes de casar, pergunte a si mesmo: serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice? Todo o resto é passageiro num matrimônio”. Bah, mas é o que vivo dizendo em muitas das minhas palestras, o que vai segurar o casamento, torná-lo longevo, é a qualidade interna dos cônjuges, isto é, a qualidade da conversação que vão precisar ter para que aquelas duas cadeiras lá da frente da casa possam ser bem ocupadas.
Nenhum chimarrão, nenhuma caipirinha segura marido e mulher um ao lado do outro se entre ambos não houver boa qualidade de conversação. É a conversação que os une, não o sexo como pensam os vulgares. Mas é claro que aquela pergunta – será que serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice…? – só pode ser feita por alguém que saiba da importância dessa virtude e também, é óbvio, que a outra pessoa responda na mesma freqüência. Dois ocos não terão essa preocupação.
Mas como disse, fechei o livro e liguei o televisor no canal da TV Senado. Estava no ar um documentário com a professora de literatura e acadêmica da Academia Brasileira de Letras, Cleonice Berardinelli, na data com 95 anos. Que lucidez, que memória, que inteligência, que repentes, que erudição, que encanto. Fiquei pensando, uma mulher dessas jamais poderia se casar com um tipo desses que andam por aí. Desses que riem por nada, curtem humor na tevê e não lêem nem placa de banheiros… Quem sentar ao lado de uma mulher assim ou terá o que dizer ou melhor é que vá lá fora chupar um picolé, e não volte. Os encantos internos prendem mais que as alianças nos dedos…
ELES
Desliguei a TV Senado e fui para a TV Cultura, tudo na Sky. Davam um documentário sobre os jovens coreanos que vieram morar no Brasil. Que lição! Os caras, eles e elas, espertos, simpáticos, cultos, esforçados, honestos… E fiquei pensando, por que os nossos jovens não são “parecidos”? Talvez porque vivam na fartura, nunca lhes falta nada e mesmo que aqui vivam na miséria, vivem na miséria porque querem, nada é negado ou falta a quem deseja estudar e trabalhar no Brasil. Olavo Bilac tinha razão, falta-nos uma boa guerra, e perdê-la. É preciso que esses arvoados (a palavra está certa) que andam por aí acordem para o trabalho duro e honesto e reconheçam a fartura em que vivem. Muito disso tudo, é claro, culpa dos pais, meros idiotas reprodutores.
PROMESSAS
Acabei de ler mais um daqueles anúncios de jornal que me deixam pensativo; de fato, enganar pessoas ingênuas e, não raro, desesperadas, é mesmo um negócio muito rico… Nesse anúncio que acabei de ler, a pessoa por trás da mensagem diz que vai fazê-la, leitora, encontrar o seu par perfeito, a sua alma gêmea. Trabalho seguro e rápido. E há ignorantes, desculpe, quis dizer ingênuos, que acreditam. Como é fácil ficar rico, basta não sentir comichões éticas.
FALTA DIZER
Distinção. Foi assim como recebi o convite da Cobrapol -Confederação Brasileira de Policiais Civis – Brasília – para ser distinguido e participar do XIII Congresso da entidade. Será em Foz do Iguaçu nos próximos dias 30 – 31 – 1°. Ser o “estranho no ninho” fez-me feliz e extremamente honrado. Lá estarei – Hotel Mabu Termas e Resort, Av. das Catarata.