FALSAS VIRTUDES
Não me incluo entre os que conferem “divindade” à velhice, não penso que o sujeito por ficar velho fique bom, vire bonzinho. O respeito que eventualmente eu possa ter pelos “idosos” não me resulta da idade deles, mas do respeito que me merece quem respeito merece… Só respeito os que merecem respeito, jamais pela idade.
Digo o que digo por que não gosto de falsas bondades, de virtuosos de plástico, artificiais. As igrejas, por exemplo, estão cheias de gente que durante a vida traiu a mulher, o marido, educou mal os filhos, gente desleal no trabalho e que depois, na velhice, fica “boazinha”, velhinhos dóceis… Hipócritas.
Quantas “boas” velinhas que você vê na igreja falam mal das noras, criticam os genros, desejam o pior para a vizinha que não lhe dá a mínima? Gente que durante a vida não valeu a pena ter nascido. Quem não foi bom durante a vida não haverá de sê-lo na velhice.
Estou até agora irritado com o falso moralismo, com a hipocrisia de jornalistas e de muitos do povo. A Catharine Deneuve, atriz francesa que foi a mulher mais cobiçada e bela do cinema na década de 60, esteve entre nós para lançar um filme.
Durante a entrevista coletiva com os repórteres, ela abriu a bolsa, pegou um cigarro e o fumou prazerosamente. Ah, pra quê! Os “virtuosos” da imprensa ficaram tocados, só falaram do cigarro da atriz, nada do filme.
Tudo bem que o cigarro esteja sob forte tiroteio, que não ajude a saúde, isso, aquilo. Mas é bom não esquecer que o cigarro é droga legal. Legalíssima. O governo enche as burras com impostos de cigarros, logo, fumar é ato de liberdade, fuma quem quer e… dentro da lei.
Mas os sepulcros caiados da imprensa brasileira, muitos maconheiros entre eles, só falaram do cigarro da Catharine. Hipócritas.
EU
Nunca fumei, não suporto fumaça de cigarro, mas enquanto o cigarro for produto legal, que dá muito dinheiro ao “governo”, vou defendê-lo até a última tragada. E mais. Se eu fumasse, entraria no Supremo fumando… queria ver me proibírem. Eu os mandaria que cuidassem, isso sim, é do terrorista assassino, Battisti…
DOENÇA
Ouvi um orientador de carreiras dizer na televisão que se dedicar demais ao trabalho, ser um workaholic é uma doença. O que é isso, “doutor”? Doença é ser vadio, desligado, só trabalhar pela pressão do salário. O Brasil precisa de workaholics, e em “Brasília” mais que em qualquer outro lugar…
PODER
Quando eu digo que há dentro de você, ou de qualquer um, um formidável poder para o sucesso, alguém me diz que faço autoajuda, e que autoajuda é fajutice. Fajutice é o sujeito ficar copiando outras pessoas, anulando-se para o ser e pensando que nasceu para ser um nada. Isso não é autoajuda, é autodestruição.
Conversa séria
Conversa de pai. – “Guria, vem cá, senta aí! Senta e me ouve…”! E assim , o pai começaria a conversar com a filha sobre sexo, sobre sexo sem cuidados, sobre sexo com o namorado ou, pior de tudo, sobre sexo com alguém recém-conhecido…
Mas não é bem assim. É muito fácil falar de sexo com os outros, com os estranhos, mas é muito difícil, dificílimo falar de sobre com os filhos ou com a mulher ou com o marido. Falamos de sexo sem pejos nem rubores com os outros, com os amigos…
Venho ao assunto, leitora, leitor, porque vem aí o Carnaval, a maior orgia a céu aberto do mundo, cruzes. Ninguém vai para o Carnaval beber água mineral e cantar cantigas de roda. Vai para beber, consumir drogas e fazer sexo. Sim, sim, abro a porta para as exceções, mas são exceções, a maioria não sai para o carnaval para brincar de amarelinha, já disse.
E o Ministério da Saúde nos está lembrando que a Aids está ficando com a cara cada vez mais feminina. Pior de tudo, as infectadas ainda estão na idade de brincar de roda, entre 13 e 19 anos. Pode isso? Pode, com os pais que andam por aí, claro que pode.
- Então, é o seguinte, guria, sem essa de que “ele é limpinho”, ou de que ela, no caso do guri, é limpinha. Quem vê cara não vê Aids. Quem tinha que dizer isso, insisto, era os pais. Mas já disse que é difícil falar sobre sexo com os filhos, então, que os pais falem para as paredes, mas que o façam perto dos filhos… Sabe aquela conversa em diagonal, quando falo sobre os outros mas quero falar com você? Que os pais façam isso, mas que façam alguma coisa.
E as gurias não podem ter medo de perder o namorado, ou o cara recém-conhecido, só porque ele não quer usar camisinha e elas têm medo de perdê-los. Ninguém perde nada ao perder um traste, um bermudão que só pensa nele na hora do “acerto de contas”… Cai fora, guria, cai fora, esse tipo de cara não presta.
Ouviste bem, guria? O bloco do “Chegar Junto” só vale a pena se a saúde não for colocada em risco. Manda o “bermudão” lamber sabão se ele quiser sexo sem camisinha. Deixa só para ele a Quarta-feira de Cinzas…
INFERNO
No pé da página do jornal achei está frase – “O inferno das mulheres é a velhice”. Até pode ser, mas o verdadeiro inferno humano vem da consciência da finitude, da morte. E o incômodo dessa consciência só pode ser anestesiado pela paixão. E a melhor de todas é a paixão pelo trabalho, seja ele qual for. Quem ama não adoece.
NADA
Um amigo me conta que só ouve críticas… Dei a ele um velho conselho: – “Há um modo muito simples de não seres mais criticado,- bah, os outros nem vão se lembrar de ti. Basta que não faças nada, não digas nada, não sejas nada. É batata, ninguém mais vai te criticar. Serve?
VIRTUDES
Um outro sujeito me reclama que só ele chega no horário para certos compromissos na empresa. E me diz que vai começar também a chegar atrasado. Disse a ele que chegando no horário, ele se torna diferente no mundo dos “iguais”, e que chegando atrasado ele passa a ser apenas mais um… As virtudes no trabalho colocam a pessoa na alça de mira das desidiosas, maiorias, mas vale a pena. É muito bom ser odiado pela competência, muito bom.